Mostrar mensagens com a etiqueta Greve. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Greve. Mostrar todas as mensagens

O call center saiu à rua num dia assim

sábado, 1 de julho de 2017

«Eu sou a voz da MEO. Só não dou a cara porque o cliente nunca me vê, mas dou o melhor do meu trabalho». Irina (nome fictício) trabalha há 15 anos para a PT-MEO mas, apesar disso, a PT-MEO não a quer contratar: é mais lucrativo recorrer a empresas de trabalho temporário e outsourcing. «Foi com a minha voz, com o meu trabalho que, no ano passado, tiveram lucros de 279 milhões de euros. Não há desculpa para estarmos décadas a ganhar praticamente o salário mínimo, sem estabilidade nenhuma. Têm de nos integrar nos quadros. Isto tem de acabar», explicou ao Manifesto74. E foi para «acabar com isto» que ontem, ainda de madrugada, Irina partiu de Santo Tirso num autocarro rumo a Lisboa. Fez greve e foi à sede da PT-MEO, acompanhada por cerca de outros 200 trabalhadores de call centers de todo o país, exigir o fim da precariedade, aumentos salariais e melhores condições de trabalho.

Greve prisional nos EUA contra a escravatura moderna

sábado, 10 de setembro de 2016

No 45º aniversário do levantamento prisional em Attica, iniciou-se ontem uma greve nacional de presos em mais de 24 estados dos EUA, contra comida e cuidados de saúde inadequados, condições de sobrelotação, pressão e isolamento prolongado, e o ciclo do próprio sistema criminal que cria um sistema de escravatura moderna. Os promotores, que incluem o Support Prisoner Resistance, o  Incarcerated Workers Organizing Committee, e o Free Alabama Movement, apelam ao fim da escravatura na América, alertando não só para as condições dentro das prisões, mas para todo o sistema repressivo racista e de classe, desde a ligação entre punição nas escolas e a criminalização juvenil (school to prison pipeline), ao quotidiano terror policial nas cidades, o enviesamento racial da polícia e sistema penal, a falta de apoio jurídico, as fianças proibitivas, as penas injustas, os controlos após a libertação, etc.

Quatro mulheres de Abril*

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Quarenta anos depois da revolução, quatro mulheres falam das dificuldades que passaram, da miséria que lhes roubou a infância e das lutas que travaram contra a dureza dos tempos. De quando, sobre os estômagos dos portugueses, o peso da fome amarrava muitos à sopa dos pobres. E do que se começa a viver hoje em muitas localidades do País e que era sentido de forma brutal pelos trabalhadores durante o fascismo.

Viúva, e sem forma de sustentar a família, a mãe de Idália Martins foi uma das muitas mulheres que deixaram horas da sua vida nas longas filas de espera por um pedaço de alimento para os filhos.Do tempo em que a região de Lisboa era um mar de barracas e em que os homens não podiam ser meninos, Idália recorda que começou a trabalhar aos 12 anos como costureira. Também foi o caso de Odete Filipe e de Amélia Lopes. Com a mesma idade, uma estreou-se a tomar conta de crianças até que três anos mais tarde uma empresa de produção de material telefónico a contratou. A outra entrou para o sector do vestuário. Sobre estas e tantas outras mulheres, o fascismo deixou marcas que não esquecem. 

Foi doloroso para Odete querer uns sapatos e a mãe não lhe poder comprar. Os pais trabalhavam por conta de outrem na agricultura e só aos oito anos lhe puderam dar uns botins de borracha. «Para que durassem mais», explicou. Em casa não havia electricidade e uma pia ao lado da chaminé fazia as vezes de sanita. Como a maioria das crianças da sua época, cumpriu a quarta classe e a condição social dos pais expulsou-a para o mundo do trabalho. O destino de Amélia foi o mesmo. Aos 12 anos, caminhava sete quilómetros diários para ir e vir da fábrica. Apesar da dureza das condições de vida, amplificada pelo facto de serem mulheres, nenhuma delas deixou de remar contra a corrente.